Não Aguento Mais #VEDA07

Não Aguento Mais #VEDA07

Não é fácil estar na posição que estou. Sem mencionar os problemas emocionais e pessoais, estou em meio ao tratamento da depressão, desempregada, sem dinheiro nenhum na conta, completamente perdida na área profissional e tudo isso aos 25 anos.

Se você me perguntasse a muito tempo atrás onde eu queria estar aos 25 anos, eu responderia, sem pensar duas vezes, que gostaria de ser uma mulher realizada profissionalmente, independente e pronta para a chefia até os 30 anos.

é decepcionante para mim me encontrar nessa idade completamente o oposto do que sonhei. Me martirizo todos os dias por ter escolhido errado, investido tempo e dinheiro em anos de faculdade, acordando as 5h e indo dormir depois da meia noite, vencendo o cansaço, preconceito, baixa autoestima e o que você imaginar. Tudo isso, para conquistar o diploma e avançar na carreira.

O que dói mais é saber que não prestei atenção aos sinais que apareceram desde o início da escolha da área. Eu lutei tanto por uma coisa que só estava me fazendo mal. Por negligenciar a depressão, sempre achei que quando algo estava fora do planejado, a culpa era dela.

Andar contra a corrente é solitário. Você precisa estar muito confiante da escolha que faz para não se abalar facilmente. Eu não me arrependo da escolha que fiz, mas não me sinto confiante de vou me encontrar. A única coisa que eu tenho certeza é que eu estou muito mais feliz hoje do que na época que estava na carreira que construi e que todos admiravam.

Quando recebi esse seguinte comentário ontem: “Eu aqui o dia inteiro quebrando a cabeça com um problema de programação e uma menina como você, formada em Ciência da Computação, sem nada de “interessante” pra gravar/fazer. Que desperdício de tempo. Podia é estar me ajudando a resolver isso aqui.” Foi como se a pessoa acertasse bem fundo o meu ponto fraco. Todas as minhas inseguranças vieram a tona e eu desmoronei em choro.

Engraçado que era exatamente isso que me impedia de criar coragem e cortar o mal pela raiz. Eu sabia que iria ouvir diariamente coisas do tipo: louca, corajosa, irresponsável, imatura, sonhadora, idealista, criança, que andei vários passos para trás na minha vida, que não iria encontrar carreira que não parecesse ínfimas perto da minha antiga ou que estou desperdiçando “minha inteligência e capacidade” em uma área que não é a do “futuro”. Cheguei até pensar que meu valor como pessoa seria diminuído.

Não foi fácil concluir: “Chega, não vou insistir nessa área que me faz mal”. Só que também não é fácil não saber para onde ir. Então eu peso na balança essas duas frases e a segunda sempre ganha porque é nela que eu me sinto feliz. Eu não leio mais e-mail motivacionais, não sinto que estou perdendo tempo da minha vida ou produzindo algo sem sentido.

Quando estava olhando para a tela e sem vontade nenhuma de continuar perdendo meu tempo naquela área, eu sabia que queria encontrar algo que meu tempo fosse dedicado a outra pessoa, que eu tivesse contato com elas, que meu trabalho produzisse frutos diretamente na vida de alguém, ajudando-a de alguma forma, em contato com ela. Isso sim é um trabalho produtivo pra mim.

Eu preciso escrever. Parece que vou explodir se não o fizer. Minha cabeça fica mais tranquila e organizada quando coloco em palavras todo esse turbilhão de emoções. Me sinto completamente sozinha e perdida, mas livre, como nunca fui.

Lika

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